Ouviram do Ipiranga as margens plácidas,
Os meus lhos sangrando em lágrimas,
O grito da mãe desesperada,
A morte da criança assassinada.
E o sol da liberdade,
Vai ardendo as costas do sujeito,
Esquecido pelos homens,
Uma bala cravada em seu peito.
Do lixo um banquete se fez,
Sobrevivendo da dor,
Esperando um pouco de amor,
Enquanto varejeiras te comem sua perna,
Vai vagando procurando seu sustento,
Do coração só restam migalhas,
Migalhas é o seu alimento.
Cospem em sua cara,
Te chamam de ladrão,
Te olham com desprezo,
Te negam o pão.
Dos filhos desse solo és mãe gentil,
Que fecha os olhos e nega a miséria
Do pobre Brasil.
Sabrina Kelly
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